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Há todo um saudosismo nos trabalhos de Jorge Eduardo. Os temas procurados,
a maneira simples de pintar uma coisa difícil, a descoberta das "molduras",
tudo tratado com o maior respeito na integridade de madeiras ou tintas
velhas.
É com olhos de menino que ele nos devolve as coisas vistas: de um menino
que brincava com pipas, peão, bola de meia, e que de repente, se encontra
preso dentro de uma casa numa interminável tarde de chuva, na ânsia contida
de tropelias e sol.
É um "voyeur", no bom sentido, pois vê de dentro para fora e suas "molduras"
não são buracos de fechadura, mas uma combinação de paisagens, caixilhos
e janelas velhas que deixavam ver a infância feliz bem mais que imagens
de TV e "playgrounds" de concreto.
Nos "RETROÇOS' de Jorge Eduardo encontramos a nostalgia das passadas paisagens.
Não é mais possível, dentro dos despropósitos ecológicos atuais, sair
com um cavalete de campo a procura de um tema bucólico. Mas, encaixar
numa janela antiga, fora de uma casa, um tema com toda a força do conjunto:
madeira + tela, isto o torna ímpar. Pois o trabalho não é só a pintura,
porém o impacto do tema visto antes do fim, como a" Fábrica da Usina "que
é uma ruína vista de um postigo que deverá tornar-se ruína também em breve".
Há uma mensagem nesta exposição: que contemplemos com urgência
o belo que nos cerca, pois o futuro nos retirará esta oportunidade; que
aprendamos a olhar com carinho o verde, o céu, enfim tudo o que se escolher
para gostar de olhar. Antes que acabe.
Abram suas janelas, seus postigos, e olhem, olhem.
Caio Mourao
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